Apagaram a Capa da Capuchinho!
No Mundo Encantado da Brincadeira, a
Ritinha e o João tinham nomes muito próprios: Rita Pirolita e João Pimpão. Eram
nomes secretos que só eles conheciam e que os tornavam Rainha e Rei do seu quarto
de brincar. Um quarto mágico, repleto de bonecas e carrinhos, jogos, puzzles e
livros, muitos livros que os dois irmãos gémeos adoravam folhear e que os
transportavam sempre para grandes aventuras.
Sozinhos no seu mundo de magia, os
meninos estavam indecisos sobre o que fazer:
- E se víssemos um livro? – perguntou o
Rei Pimpão.
- Boa ideia! – respondeu a Rainha
Pirolita.
Mas naquele mundo não estavam sozinhos.
Entre os bonecos de peluche estava o Piturso, um enorme urso de peluche que,
quando não estava mais ninguém no quarto, ganhava vida e partilhava histórias.
- Olá meninos! – disse o Piturso sentado
numa cadeira.
- Piturso!!! – gritaram os dois em coro,
ao mesmo tempo que saltaram para o abraçar.
- Estavam a dizer que vão ler uma
história? E qual é a história de hoje? – perguntou o Piturso.
- Hummmm, e que tal uma de princesas? –
sugeriu a Rita Pirolita.
- Eu não quero uma de princesas. – disse
o João Pimpão um pouco zangado. – Ainda ontem vimos uma de princesas. Eu quero
uma história de polícias, ladrões e muitos carros!
O Piturso sabia que estava na hora de
intervir. A Ritinha e o João gostavam muito de brincar juntos, mas como eram
uma menina e um menino, nem sempre estavam de acordo quanto à brincadeira
seguinte. A Rita gostava mais de brincar com as bonecas, enquanto o João
preferia os carrinhos e as lutas.
- E se vissem a vossa história preferida,
a História da Capuchinho Vermelho? – sugeriu o Piturso.
Os dois irmãos concordaram. O Rei Pimpão
foi buscar o livro, enquanto a Rainha Pirolita
pegou no Piturso e se sentou com ele no tapete redondo do quarto, o
sítio onde mais gostavam de ler as histórias. O João Pimpão sentou-se ao lado
deles. Abriram o livro e começaram a folheá-lo.
Lá estava a Capuchinho, a receber da Mãe
o cesto que devia levar à Avozinha que estava doente.
- E já sabes Capuchinho, não te
desvies do caminho. A floresta tem muitos perigos! – dizia a Mãe à
Capuchinho.
Na página seguinte, via-se a Capuchinho
no caminho que devia seguir até à casa da Avó. Mas algo estava errado naquela
imagem.
- Ei! Falta a cesta da Capuchinho! –
notou a Rita Pirolita.
- Não pode ser – disse o João Pimpão. – da
última vez que vimos este livro, a Capuchinho tinha a sua cesta!
Passaram outra página e desta vez faltava
a capa vermelha à Capuchinho.
- Mas o que é que se passa aqui? –
perguntou a Rita Pirolita.
- Eu não sei, mas parece que a história
está a perder imagens! – notou o João Pimpão.
O Piturso pigarreou e disse:
- Eu não sei o que se passa! Mas vocês
podem descobrir.
- Podemos?! – questionaram os irmãos ao
mesmo tempo.
- Podem. Basta dizerem as palavras
mágicas e entram dentro da história.
- E quais são as palavras mágicas? –
perguntaram em coro a Ritinha e o João.
- São simples: arco-íris, arco-íris,
leva-nos para brincar neste lugar!
Os irmãos olharam um para o outro. E, sem
combinarem, disseram ao mesmo tempo:
arco-íris, arco-íris,
leva-nos para brincar neste lugar!
Um arco-íris começou a sair do livro, com
as suas sete cores bem ordenadas, e foi crescendo, crescendo, crescendo.
Serpenteou pelo quarto e enrolou-se à cintura da Rita Pirolita e do João Pimpão,
levantando-os do chão e puxando-os para dentro das páginas do livro.
Os dois irmãos aterraram de rabo no chão
no caminho que a Capuchinho devia seguir. Estavam um pouco tontos da viagem,
mas depressa perceberam que estavam dentro da história da Capuchinho Vermelho.
Olharam na mesma direção e viram a
Capuchinho a aproximar-se sem a sua cesta.
- Depressa! - disse o João Pimpão – Vamos
esconder-nos atrás daquela árvore.
Deu a mão à irmã e correram os dois para
fora do caminho. Por pouco não foram vistos pela Capuchinho!
A Capuchinho passou no caminho mesmo à
frente deles.
- Ufa! Íamos sendo apanhados – disse a
Rita Pirolita.
- Sim, foi por pouco! – retorquiu o João
Pimpão.
Ainda não se tinham refeito do susto,
quando ouviram uma gargalhada vinda detrás deles.
Um menino que devia ter a mesma idade da
Rita e do João, com ar endiabrado, vinha na sua direção.
O João Pimpão encheu o peito, levantou-se
de repente e parou mesmo à sua frente.
O menino deu um salto para trás e quase
caiu de costas com o susto.
- Quem és tu? Tu não és desta história! –
exclamou o João Pimpão.
- E vocês também não! – afirmou o menino.
– Eu sou o José. E vocês, como é que se chamam?
Os irmãos apresentaram-se e o João Pimpão
reparou que o José trazia na mão uma borracha.
- Ah ah, então és tu quem está a apagar
as imagens da história! Como é que vieste aqui parar?
- Disse as palavras mágicas… – disse o
José meio envergonhado.
- Mas porque é que estás a apagar as
imagens? Não vês que assim estragas a história? O que fará a Capuchinho quando
chegar a casa da Avó e não tiver a sua cesta? E como se poderá continuar a
chamar Capuchinho Vermelho se já não tem a sua capa vermelha?
- Oh… estava aborrecido! – disse o José –
Não tinha com quem brincar e lembrei-me de vir até aqui pregar esta partida…
- Mas isso é muito errado, José –
defendeu a Rita Pirolita. – Não podes andar por aí a apagar imagens das
histórias. Além disso, foi-te confiado o segredo das palavras mágicas para
entrares nas histórias, e isso é muito importante, não podes usar isso para as
estragar.
O José estava agora de olhos no chão,
muito envergonhado pelo que tinha feito.
- Tens razão. Desculpem… - disse o José
já quase a chorar.
A Rita Pirolita, que era uma menina
despachada, depressa respondeu:
- Pronto, pronto, estás arrependido e
percebeste que fizeste mal. Isso é que conta! Mas agora temos um problema: como
é que vamos colocar as imagens outra vez no seu lugar?
Ficaram os três a olhar uns para os
outros, a interrogar-se sobre o que haviam de fazer.
De repente, ouviram ao longe a voz do
Urso Piturso:
- Basta dizerem as palavras mágicas: arco-íris,
arco-íris, quando esta história acabar, tudo estará no seu lugar!
Os três meninos sorriram uns para os
outros e disseram em coro as palavras mágicas:
arco-Íris, arco-íris, quando esta
história acabar tudo estará no seu lugar!
Um enorme arco-íris cheio de cor e luz
surgiu por detrás das árvores e começou a pintar as imagens que faltavam naquela
história. A Capuchinho recuperou a cesta e a capa.
- Ainda bem que tudo se resolveu, - disse
o José – eu prometo que não volto a interferir nas histórias.
- Bem,- disse o João Pimpão - agora
talvez seja melhor irmos embora. Mas eu e a minha irmã gostávamos de voltar a
brincar contigo. Queres?
- Claro que quero! – exclamou o José com
os olhos a sorrir.
- Mas para isso, disse o João Pimpão,
tens de ter um nome digno do Mundo Encantado da Brincadeira. E que tal: José
Barnabé? Gostas?
- Gosto pois! É muito fixe! – exclamou o
José Barnabé muito contente.
- Eu não sei o que vocês acham –
acrescentou a Rita Pirolita – mas se calhar podemos voltar a encontrar-nos numa
história diferente e, quem sabe… sem a alterar muito… podemos melhorá-la um
bocadinho. Só um bocadinho… Eu sempre achei que a Branca de Neve….
O Pimpão tapou-lhe rapidamente a boca com
a mão para ela não dizer mais nada. Nunca se sabia o que podia sair da boca da
irmã! E os três riram a bom rir, felizes por serem agora amigos e por imaginarem
as aventuras que os esperavam.
Arco-íris, arco-íris,
Fazes bela
magia,
Agora vamos
embora,
Mas voltamos
outro dia!
FIM