A Vizinha da Frente
Q uerido Vizinho do 7º Frente, (Gustavo Luís Gomes Teixeira. Sim, sei o nome todo. Está escrito nos envelopes de correio registado que nunca te chegaram às mãos. O carteiro pensa que sou tua mulher. Que pena nunca ter sido!) Esta é a minha carta de demissão. Demito-te de fiel guardiã do teu espaço. Ainda que nunca mo tenhas pedido, tenho quase a certeza que sabias bem que te velava dia e noit e, e que gostavas disso. Fiz tudo para que o teu regresso a casa – o teu regresso a mim! – fosse o melhor momento do teu dia. Mantive o patamar junto à tua porta impecavelmente limpo (esfregava-o todos os dias de manhã, depois de saíres). No dia em que fez três anos que te mudaste para aqui, comprei a planta que coloquei no canto direito da tua entrada. Viste como está frondosa? É o ser vivo que resulta da nossa união. Tu sabes! Sei que sentias que te espreitava pelo óculo da porta. E gostavas disso, não gostavas? Quando saías aos Domingos para jogar à bola, com os calções que deixavam ver...