O Segredo das Estrelas
Saí
a porta a correr, a ouvir a minha avó gritar qualquer coisa sobre as galinhas
ainda estarem a dormir. Passei a padaria, Bom
dia D. Adosinda!, a mercearia, Bom
dia Sr.Tibério! e continuei rua abaixo como uma lebre que foge do predador.
Virei a esquina da farmácia e lá estava ele: o Titéo das Madeiras, o mais velho
habitante da aldeia. Tinha-me prometido que naquele dia me contaria a
verdadeira história das estrelas, mas eu teria de chegar bem cedo. Ele já
estaria, como sempre, sentado à porta de casa, no banco feito por si era ainda
um catraio, com a cesta cheia de troncos de todos os tamanhos, prontos para
serem transformados pelo seu canivete em verdadeiras obras de arte.
Quase
o abalroei à chegada.
-
Então, então, Zézito! Isso é que são maneiras?
-
Desculpe, Titéo. Falharam-me os travões!
Ele
deu uma das suas gargalhadas que percorriam todas as ruas de Benquerido antes
de se perderem no espaço.
-
Quase não dormi! Quero saber o segredo sobre as estrelas! Conte Titéo, conte!
-
Então!… tudo o que possas ter aprendido sobre as estrelas… esquece! A verdade
só eu a sei e é esta:
Todas
as tardes, o Sol já cansado de tanto brilhar, não aguenta mais e explode.
Desfaz-se em milhões de pedacitos luminosos que se espalham pelo céu: As
Estrelas!! Ou como é que podiam brilhar tanto, se assim não fosse?! De manhã
tornam a juntar-se e aparece o Sol inteirinho!
Eu
fiquei mudo. De repente, tudo o que tinha aprendido na escola parecia não fazer
sentido nenhum, ao pé daquela revelação magistral do Titéo!
Quando
o Toninho e o Zeca chegaram, eu estava ainda meio extasiado.
- Hoje vamos passar o
fim da tarde ao monte.
- Ao monte? Porquê ao
monte?
-Vamos ver o Sol
explodir.