António Pedro Eleito o Melhor Pai

    Hoje, somos nós, Pai, quem escreve a manchete do jornal. Somos nós quem escolhe, palavra por palavra, o que de mais importante tem esta notícia. Somos nós o júri deste concurso. Somos quem te entrega o galardão de Melhor Pai.

    Sabemos que sim. Que parece coisa de miúdos. Parece daqueles diplomas comprados nas lojas, que as crianças entregam aos pais, com aquele nervoso na barriga de quem entrega o mais importante dos prémios. Porque é, de facto, o mais importante.

    Mas, e então? Que mal há nisso? Que mal pode haver em guardarmos a infância dentro de nós e voltarmos a ela sempre que nos apetece?

    É que ter boas memórias da infância é um imenso privilégio. Ter um Pai a quem eleger como o melhor, uma dádiva. E nós, por pura sorte nesta roleta do destino, temos ambas as coisas.

    «Quem é que quer vir para o pé de mim?», perguntavas tu ao fim-de-semana, quando já todos estávamos acordados, mas tu ainda deitado. E nós lá íamos em correria, para um daqueles momentos de ternura e sorrisos. Aqueles momentos que guardamos no baú das recordações e que criam dentro de nós os “portos de abrigo”, onde vamos quando precisamos de nos lembrar de quem realmente somos.

    E a paciência. A tua infinita paciência para o «agora eu estava a olhar para ali», a ver se entrava mais uma garfada. E vê bem a ironia, hoje agradecíamos se nos fechasses a boca!

    Fosses tu um filme, e serias sem qualquer dúvida, um filme de cowboys. Com o John Wayne, claro está. Porque tu adoras filmes de cowboys e porque os cowboys são fortes e corajosos. Como tu. E alguns até são bons e justos. Como tu és.

    Ensinaste-nos muitas coisas, e entre elas ensinaste-nos que as coisas são como são. E ensinaste-nos que temos sempre que fazer aquilo que temos de fazer. Custe o que custar. Doa a quem doer (o que normalmente é a nós próprios, percebemos depois). «Faz aquilo que deves, mesmo que devas aquilo que fazes». O tempo que levámos a perceber isto!

    Os dias passam a correr, não passam Pai? Os anos atropelam-se uns aos outros. E sem fazermos grandes contas, já és Pai há tanto tempo. E isso faz com que já sejas tambêm avô. E ser avô é ser pai a dobrar. É ter o tempo e a paciência multiplicada e o amor redobrado, comprovados no carinho e no respeito que os teus netos te têm.

    Na verdade, o que hoje te queremos dizer é algo tão simples como: Obrigada!

    Obrigada pelo que nos deste ao longo da vida: pelos ensinamentos, pelos exemplos, pelos princípios.

    Obrigada por nos aceitares como somos, ainda que nem sempre concordes com as nossas decisões.

   Obrigada por seres o avô presente, carinhoso e dedicado que és. E por isso, também os teu netos te adoram.

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