De um Coração que se Enche sem nunca estar Cheio Demais

    És assim tu, Mãe. Um coração multiplicador de amor, que se enche incessantemente sem nunca estar cheio demais. Uma presença segura, um porto de abrigo. A certeza de que estarás lá sempre. Como se ainda estivéssemos dentro da tua barriga e não houvesse cordão umbical possível de cortar.

    Tantas e tantas vezes não soubemos – e não sabemos ainda – agradecer a tua presença, para tantas outras desejarmos, em silêncio, que ali estivesse o teu colo para nos pudermos deitar, aconchegar, e deixar que o mundo continuasse a girar a seu belo prazer, sem que isso nos pudesse afectar.

    Sabemos hoje como deste de ti para nos proporcionares sempre o melhor. Tomaste conta de nós desde o primiro minuto até ao dia de irmos para a escola, para depois começares, também tu, uma nova vida que implicou ainda mais trabalho. Mas isso nós não sabíamos, como poderíamos saber? E nunca te queixaste. Acordar de madrugada para que levássemos o almoço feito nesse dia, e não no dia anterior. Levar o coração nas mãos por nos deixares ir e vir sozinhas da escola. Ganhar o hábito de telefonar uma dezena de vezes por dia, para teres a certeza que tudo estava bem. Fazeres-nos festas na cabeça até adormecermos, quando o sono teimava em não vir, quando fora das paredes do quarto haveria ainda tanto que fazer, que tratar, que organizar. Deixar-nos ir, mais tarde. À descoberta  do mundo, com tantas opções mal feitas, que darias a vida para evitar, mas que não foi possível. Nunca é possível, pois não Mãe? É assim mesmo, isso de ser Mãe. Aceitar o que não se aceita. Apoiar o que não se concorda. E estar lá, de coração e braços abertos no dia em que se pensa “eu sabia, e quem me dera ter estado errada”. És assim tu.

    E entretanto chegaram os netos. Em alturas tão diferentes. E com eles a prova de que o amor não se divide, multiplica-se. Por eles e por nós. Avó. Palavra de força, e presença marcante de quem tem o privilégio dela usufruir. Sempre presente, sempre disponível, sempre carinhosa. A nossa loira baixinha que “chega onde não chegam os grandes”. Justa. Verdadeira. Pura. Bonita. E é tão bom ter uma mãe bonita! Uma boneca de porcelana. A nossa professora de inglês. A nossa amante dos animais. Se pudéssemos, dar-te-íamos uma quinta cheia de animais para então te sentires rodeada daqueles que sentes como teus iguais!

    “Ainda que andássemos com uma candeia à procura, não encontrávamos outra como tu!”. Tão verdade esta que dizes. Mas é também verdade que não queríamos encontrar. Amamos-te do fundo do coração. E sermos tuas filhas, tem sido um enorme privilégio.

    Parabéns Mãe!

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