E por Ti Nasceu o Amor
(a uma educadora de infância)
Era pequenina, eu. Tinha pouco mais de dois anos e meio, e uma fita de um metro chegava e sobrava para me medir o tamanho. Esse dia, o dia em que te conheci, chegou no início do mês de Setembro. Um dia de Verão, cheio de sol e calor, como que num prenúncio do quente que seriam os nossos afectos.
Era pequenina, eu. Tinha pouco mais de dois anos e meio, e uma fita de um metro chegava e sobrava para me medir o tamanho. Esse dia, o dia em que te conheci, chegou no início do mês de Setembro. Um dia de Verão, cheio de sol e calor, como que num prenúncio do quente que seriam os nossos afectos.
Era tão
pequenina, eu. E tu, eras tão grande.
Eu sabia que ía
para a escola. Que teria muitos meninos para brincar e uma educadora para me
ensinar muitas coisas, diziam-me. E isso até me interessava, porque sempre fui
muito curiosa (tu sabes!). Mas aquilo tudo pareceu-me demais. Demasiados
meninos a fazer barulho –, eu que estava habituada ao sossego – demasiados pais
perdidos em conversas e perguntas.
Não sei se
gostei logo muito de ti. Desculpa, mas eu queria mesmo era ir-me embora com os
meus pais, que aquela coisa da escola era muita confusão para mim. Tu sabes que
eu sempre fui um bocadinho receosa, que o que não conheço me assusta. E eu não
te conhecia. Como tu não me conhecias a mim.
Fiquei. Tive de
ficar. Fiquei a chorar ao pé de ti, contigo a dar-me mimos, enquanto os meus
pais se foram embora. Eles sabiam que eu ficava bem. Confiaram em ti desde o
primeiro dia, acho mesmo que gostaram de ti logo à primeira. Quer dizer, na
verdade talvez tenham ficado um bocadinho com “um pé atrás”, mas apenas e só
porque não se entrega assim o nosso bem mais precioso a alguém que não se
conhece, sem duvidar se será mesmo o melhor a fazer (agora, também tu já sentiste
isso, não foi?).
Esse dia de
Verão, foi o primeiro de uma longa e maravilhosa aventura que vivemos juntas.
Contigo aprendi muitas coisas e cresci muito. Fiquei mais forte, mais segura.
Foste a minha primeira amiga, aquela a quem contei sempre tudo (e tu sabes que
quando digo tudo, é mesmo tudo!). Ao pé de ti, eu sabia que ficava sempre tudo
bem.
Sabes, vou contar-te
um segredo. Às vezes, chamava Raquel à minha Mãe! Ela nunca levou a mal, porque
ficava feliz por saber que eu gostava muito de quem cuidava de mim todos os
dias!
Hoje, eu já não
sou tão pequenina. E tu, já não és tão grande.
Eu e tu somos do
mesmo tamanho. Daquele tamanho em que ficam as pessoas que sabem chegar onde o
outro está. Daquele mesmo tamanho onde só está quem se respeita. Como tu me
respeitaste sempre, apesar da minha idade se contar com os dedos de uma mão. Do
tamanho que não tem tamanho definido, porque o amor não se mede, não começa nem
acaba. Apenas se sente.
Em cada novo
dia, vou poder juntar às letras e aos números que me ensinaste, o amor, o
carinho, a compreensão e o afecto que me dedicaste. E, assim, fazer da
composição da minha vida, a mais bela das histórias!
Obrigada Raquel.
Gosto muito de ti!
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