Esta é a Sua (Nova) Casa
(promoção de uma imobiliária)
As casas ganham vida quando têm
vidas dentro.
E se as paredes falassem?
E se, cada casa, pudesse contar
as histórias de todos os dias?
Descreveria, por exemplo, os
cheiros que se espalham pelas divisões, em tardes de Inverno que vêem sair do
forno o Bolo da Avó, e reconheceriam decerto o aroma do chá adoçado pelo mel.
Poderiam contar a estranheza do
primeiro dia. Em que acolheram os habitantes que vieram para ficar, em que
tiveram de se habituar aos seus barulhos, aos seus hábitos, ao seu gosto na
decoração. Talvez as casas dissessem que sim, que aquela cor de carmim estava
perfeita para o quarto grande. Ou que não, que o verde pistachio da sala não combinava com a luz que vinha da rua.
Se as casas falassem, diriam
como foi mágico o dia em que a primeira criança entrou, e que, desde então, o
reboliço se instalou, e com ele, chegaram mais risos e gargalhadas do que
antes.
Talvez falasse das festas que
não deixavam as paredes dormir, antes ainda desse reboliço infantil e – quem
sabe – chegassem a corar (sim, as paredes) com alguns dos episódios.
Algumas, possivelmente,
lembrar-se-iam de antigos habitantes que, por boas razões, encontraram noutras
paredes o conforto que ali tinham.
Podiam até, quem sabe, contar
histórias sobre os pinheiros de Natal que por lá passaram, sobre os presentes
debaixo da árvore que acolheram até à meia-noite do dia mais esperado, em que a
família se juntou, ali mesmo, entre aquelas paredes, para partilhar o amor,
porque o sangue, esse, já eles partilhavam.
As casas ganham vida, quando têm
vidas dentro. E ganham histórias e momentos que não queremos que acabem. Há uma
casa para cada um, pronta a guardar na memória as vidas que tem dentro.
Esta é a sua (nova) casa!
Comentários