Para Lá da Janela Corre o Rio
As secretárias estavam alinhadas uma em
frente da outra. A meio caminho entre grandes vidraças que gritavam promessas
de um rio cheio de aventuras e um corredor iluminado por lâmpadas de cor
amarela e chão cinzento. E nós, entre cenários de opções fictícias, colámos os
olhos na janela e encontrámo-nos para lá do que a vista alcança.
Cruzámo-nos em enredos de vida muito
diferentes, que o tempo tratou de aproximar pela inevitabilidade dos dias que
passam e que acabam sempre por tornar semelhantes as vivências.
Não sei precisar o momento, ou a
circunstância, em que percebemos que a nossa essência é a mesma, juntando as
nossas vidas neste laço apertado. Talvez tenha sido entre gargalhadas demasiado
sonoras para a seriedade do espaço, ou quem sabe entre lágrimas vertidas por
desesperos da alma.
Lembro-me bem do primeiro dia em que te
sentaste na secretária alinhada em frente à minha. Dali, víamos o rio. Eras uma menina. E hoje,
para mim, continuas a ser uma menina. Uma menina crescida. Onde eu às vezes
encontro a sensatez que me falta. Onde me inspiro na determinação e admiro a
independência.
Sei que gostei de ti desde esse momento. É
impossível não gostar de ti. Do teu sorriso que nos envolve num abraço aquecido
em lã de caxemira. Da tua boa-disposição. Da tua capacidade de encontrar sempre
a conjugação certa das palavras para nos arrancar uma gargalhada.
Os amigos, esses “irmãos filhos de mães
diferentes”, são pedras preciosas que valorizam com o tempo. És uma das minhas
pedras preciosas – e das mais bem cotadas!-, que guardo bem guardada num lugar
especial dentro do meu peito.
Parabéns!
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