Quando da Rádio se faz História
(às manhãs da comercial - 2013)
Há poucas coisas assim. Há poucas coisas que saiam para fora de si mesmas, para se tornarem ainda melhores. Coisas que, habituadas à forma que tinham, conseguem manter a mesma consistência, aumentando a dimensão. Para depois retornarem a si, sem perder a essência.
Há poucas coisas assim. Há poucas coisas que saiam para fora de si mesmas, para se tornarem ainda melhores. Coisas que, habituadas à forma que tinham, conseguem manter a mesma consistência, aumentando a dimensão. Para depois retornarem a si, sem perder a essência.
Assim são vocês. No início,
apenas vozes atrás de um microfone. Locutores dentro de uma caixinha. O
trivial: conversa, música, sinal horário, notícias, actualização do trânsito.
Mas o trivial não é para vocês,
pois não? Era preciso mais. Não que esse mais tivesse sido estudado, pensado e arquitectado
de forma científica e com base em estudos rigorosos. Era preciso mais por que
quem tem muito para dar não consegue dar pouco. E foram crescendo. E depressa
deixou de ser apenas o trivial: conversa, música, sinal horário, notícias,
actualização do trânsito. Já não eram apenas vozes. Eram vozes com estórias.
Com risos e gargalhadas. Muitas gargalhadas. Das pensadas às improvisadas. Com
momentos únicos, que rapidamente se tornaram cultos. Como se fosse muito normal
que um programa de rádio fosse mais do que isso mesmo.
Mas foi. E as apresentações
públicas sucederam-se, sempre com casa cheia. As vozes, as vossas, passaram a
ter rosto. E os silêncios, os nossos, também. Rostos e sorrisos e certezas. Afinal, existem mesmo, terão vocês
pensado a primeira vez que, à vossa frente, um mar de gente tenha aparecido só
para vos ver, que ouvir já vos ouviam há muito tempo.
Talvez vocês não saibam, mas do
lado de cá há sorrisos no trânsito. E também há gargalhadas. Há quem acorde
feliz com as vossas vozes. Há inícios de conversa no escritório ouviste hoje a comercial?. Há atrasos na
manhã, porque não se consegue deixar de ouvir só mais um bocadinho.
Desse lado, onde existem vocês,
há muito mais do que um programa de rádio. Há a certeza de que nada se faz bem,
se não for feito com paixão. O que chega deste lado, entre a música, o sinal
horário, as notícias e a actualização do trânsito, é o respeito, a harmonia e a
amizade de uma equipa. A prova de que só a diferença de cada um forma um todo
consistente. Sem necessidade de protagonismos e com admiração genuína pelo
trabalho do outro.
Não sabemos muito bem como é que
conseguem. Como é que mantêm o mesmo registo, num respeito admirável por quem
está deste lado, sempre que os dias são mais cinzentos e vos apetece tudo menos
falar para milhares de pessoas, que apesar de vocês não verem, estão lá, ávidas
de estórias. Talvez aí, mais uma vez, vos valham os rostos que têm à frente, e
enquanto um empurra daqui, o outro empurra dali, e no final, tenham esses momentos
servido mais como terapia do que como profissão.
Sabemos, todos, que tudo acaba um
dia. Que é preciso que acabe para que exista renovação, evolução, crescimento.
Mas sabemos também que são as memórias o que de mais importante levamos
connosco quando tudo acabar. São as vivências e as emoções que nos constroem
enquanto seres humanos, e também enquanto profissionais. São as relações
humanas que nos enriquecem e nos fazem trazer o coração fora do corpo, porque
de tão cheio deixa de caber no peito.
Daqui de onde estamos, levamos
todos os dias mais um sorriso proporcionado por vocês.
Daí, de onde vocês estão, fiquem
com a certeza de que é a vossa pureza o segredo do vosso sucesso.
Ah, sim, e
também algum talento!
Obrigado por fazerem melhores as
manhãs.
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