Da Minha Titi Rosa do Coração

    Quando eu era pequenina, acreditava que existiam pessoas perfeitas. E perto, bem perto de mim, encontrava aquela que eu considerava ser a mais exemplar de todas: a Tia Rosa! Um dia, entre um sorriso de criança e um sinal para que eu não comentasse a traquinice, percebi que até as pessoas perfeitas, às vezes, se deixam levar por pequenas tentações.

    Talvez tenha sido aí que a nossa cumplicidade ganhou corpo, ou talvez esse momento só tenha dado forma ao que nos estava destinado. O que veio depois mostrou-me que nem tudo era ingenuidade dos meus parcos anos e que eu tinha razão, quando acreditava que a Tia Rosa era uma pessoa especial.

    Hoje percebo bem que há nas famílias quem as sustém. Quem assegura que os pilares não desabam, quem aguenta a mão firme no leme para manter a rota, ou para a retomar quando a tempestade passa.

    É o amor, não é? É o amor que tem no peito que lhe dá essa capacidade de trazer junto a si cada membro da família, mesmo quando parecem estar longe. É o amor que tem por todos e por cada um que assegura a persistência de não os deixar cair, ou, quando tudo falha, de os amparar na queda.

    E depois é essa energia! Essa inesgotável energia que a faz estudar quando já ninguém o esperaria, que a faz viajar e calcorrear as ruas sem descanso para conhecer o mundo. Essa energia de quem sabe que a vida é para agarrar com as duas mãos e para saborear cada minuto. E eu admiro essa tenacidade, esse não baixar de braços que a leva a fazer sempre mais.

    São os exemplos que nos constroem. Que nos formam enquanto pessoas. E eu tenho tido o privilégio de a ter como exemplo para me ir construindo ao longo da vida. E esse exemplo passa agora também para a nossa Cuncun Lolota, que cresce com a certeza de que há no mundo pessoas especiais, que dão o que de melhor têm em si, sem nada pedirem em troca.

   Às vezes, gostava que fosse possível pegar em todo o carinho que me tem dado, duplicá-lo, para então o embrulhar, envolto num grande laço, para lho oferecer. No cartão escreveria um simples “Obrigada!”, porque sei que o que é dado com o coração não precisa de mais palavras. Nesse momento, a Tia poderia sentir como o calor de todo esse carinho me tem feito feliz e mantido de pé sempre que precisei.

    A cumplicidade que nos caracteriza, essa que ganhámos no dia em que eu percebi que até as pessoas perfeitas fazem traquinices, vai muito para lá dos laços de sangue que nos juntaram. Hoje, somos duas mulheres cujas vidas se mantêm entrelaçadas, porque há pessoas que fazem para sempre parte de nós e com as quais tudo faz mais sentido.

    Parabéns, Titi Rosa do meu coração!

Comentários