Esta Madalena Sou Eu
Já eu andava na barriga da minha Mãe há umas semanas, quando ela decidiu fazer uma coisa a que chamaram “teste de gravidez” (seja lá isso o que fôr!), e teve a certeza de que eu vinha a caminho. Isso é que foi alegria naquela casa! Não tenho bem a certeza, mas acho que até ouvi uma conversa qualquer sobre “chorar de alegria”. Percebi, quando nasci, que chorar é coisa que fazemos quando temos fome, ou frio, ou sono, ou simplesmente estamos aborrecidos com qualquer coisa. Chorar de alegria não conheço, mas se eles dizem que é possível, eu acredito.
Nos primeiros meses em que estive na barriga da minha Mãe,
percebi que havia alturas em que ela não se sentia muito bem. Acho que ainda se
estava a habituar à minha presença. Mas depois passou e só voltou a queixar-se
quando eu já estava muito grande. Cansada de estar sempre na mesma posição,
decidi virar-me de cabeça para baixo. Aí sim, a minha Mãe não gostou mesmo
nada. Mas o que é que eu podia fazer? Foi um impulso! Pensei e fiz. Desculpa,
Mãe, desculpas?
Durante uns tempos os meus pais não souberam se eu era uma
menina ou um menino. Percebi, pelas conversas que ouvia, que o meu Pai queria
mesmo que eu fosse uma menina e eu andava toda contente por saber isso. Não foi
preciso muito tempo para descobrirem que eu lhe ía fazer a vontade e para
decidirem como é que eu me ía chamar. Vacilaram entre Alice, Mariana e um outro
nome que a minha Mãe gostava - mas o meu Pai nem tanto -, já nem me lembro qual
era (eu acho que escolheram bem!).
Eram 23 horas e 23 minutos quando decidi vir ao mundo, numa
sexta-feira, dia 1 de Novembro de 2013. Nasci quase com meio metro de
comprimento (49,5 cm) e pesava uns elegantes 2.900 Kg. E era gira! (não sou eu
quem o diz, são os meus pais, os meus avós, os meus tios, enfim, o mundo em
geral).
Hoje tenho um ano e quase dois meses. Falo que me farto, mas
os meus pais não percebem grande coisa. Eles até são espertos, mas acho que
ficam tão deslumbrados a olhar para mim que nem percebem o que digo. Ainda não
ando, mas já não falta muito. Quando os meus pais menos esperarem vou correr
por aí a descobrir o mundo. Preparem-se!
Esta Sou Eu. Uma bebé muito simpática e bem-disposta.
Curiosa também. Como bem e durmo bem. Uma delicia!
Esta Sou Eu. E não podia ter tido mais sorte com os pais que
me calharam. Vocês são o máximo!
Ah, e já agora, Feliz Natal! (depois explicam-me o que isso
é, O.K.?)
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